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terça-feira, 23 de maio de 2017

A Grande Aposta e a crueldade do mercado

Fala, galera! Tudo na paz? Sim, ando sumido, o tempo sobrando beira o negativo e está complicado postar. Confesso que deixei o blog de lado e estou dando outras prioridades em minha vida pessoal, mas não quero largar ele de vez. Assim sendo, estamos de volta!
O título de hoje é sobre o filme A Grande Aposta, que conta os bastidores de alguns investidores que ganharam muito dinheiro com a crise do subprime. Quero escrever este artigo há uns três meses, desde que vi o filme pela segunda vez. O filme apresenta detalhes bem técnicos que são difíceis de acompanhar para um leigo e até para quem estuda finanças, pois a salada criada é realmente de tirar o chapéu.

Bom, o filme trás muitas e muitas lições, mas hoje vou focar no timing e sobre estar certo ou errado sobre a sua expectativa. Inclusive, recomendo muito! O nome original é "The Big Short".
Atenção, spoilers sobre o filme!
Acertar o timing é simplesmente acertar os momentos de entrada e saída de uma operação. O famoso “comprar na baixa, vender na alta” é o sonho todo investidor e, ao fazer isso, você estaria acertando o timing.
Voltando ao filme, ele conta a história de Michael Burry, um gestor de fundo que resolveu apostar muito pesado contra o mercado imobiliário americano, que vivia uma época de euforia. No entanto, a aposta dele contra o mercado não foi simplesmente um feeling. Ele resolveu calcular tudo que havia nos ativos hipotecários e descobriu que havia uma oportunidade sem igual. Mas precisaria operar vendido.
Michael Burry então foi a vários bancos e pediu para que criassem os instrumentos necessários para operar na mão invertida do mercado. Como os diretores ganhariam gordas taxas e tinham certeza que o mercado imobiliário era sólido, não pensaram duas vezes e criaram os instrumentos que Michael Burry queria. Mas, para isso, ele precisava pagar um bônus. Em resumo, quanto mais o mercado subia, mais dinheiro ele perderia.
Não vou ficar aqui entrando nestes detalhes, pois o motivo do post é outro. Os dois pontos principais para você é entender o que quero trazer são:
1)     Michael Burry acertou o timing de entrada;
2)     Quanto mais o mercado ia à contramão, mais dinheiro ele precisava desembolsar do seu fundo;
Não lembro exatamente agora, mas acho que ele montou a operação ao final de 2005 e esperava que tudo colapsasse em 2007. E aí, meus amigos, é que entra o problema.
Todos começaram a achar que ele estava louco. As pessoas queriam retirar dinheiro do fundo, o qual ficou bem alavancado devido à total confiança que Burry tinha na operação que havia montado.
Só que os mesmos títulos que ele criou eram negociados entre os bancos, que faziam a chamada marcação a mercado. Os bancos definiam os preços! Parece loucura, né? Mas não era. Havia modelos de precificação e blá blá blá, mas os bancos estavam mascarando as hipotecas ruins. E o nosso cruel mercado ainda não via os títulos como tóxicos, então os negociava como se o mercado imobiliário ainda estivesse às mil maravilhas.
O filme mostra um verdadeiro drama para quem esperava a queda. Os índices de mercado imobiliário já apontavam quedas e mesmo assim os instrumentos criados pelo cara lhe davam prejuízos, quando deveriam dar lucro. Seria algo como o preço do petróleo internacional cair 90% e as ações da Petrobras responderem subindo 50%! Uma completa incoerência em termos de fundamentos! MAS... é o mercado! E ele é muito, muito cruel.
Note a situação aparentemente bizarra: hoje, daqui do lado direito do gráfico, sabemos que Michael Burry sempre esteve certo. Ele acertou o timing de entrada. E ele precisou esperar dois anos sofrendo pressão, pessoas dizendo que ele era louco e etc. Você conseguiria suportar esta situação?
E por que aparentemente bizarra? Porque ela não é aparente, ela é real, ela é comum, ela aparece todos os dias, levando o dinheiro de muitos.
Existem dois cenários aqui que podem ser problemáticos.
1) Você está certo, mas não consegue aguentar a pressão.
É muito frustrante perder dinheiro numa operação só para depois descobrir que você estava certo e que “apenas” precisava se manter na operação.
2) Você está errado, mas aguenta a pressão com sangue de nitrogênio
Aqui pode haver uma catástrofe. Diferente do caso anterior, você não ficará frustrado, mas provavelmente desolado e morando embaixo da ponte.
Dito isto tudo, o que podemos aprender com o filme A Grande Aposta? Ele nos mostra, claramente, que estar certo e acertar o timing não quer dizer absolutamente nada! Se o mercado for para o lado contrário, você poderá sofrer tanta pressão externa, que é possível que encerre sua operação no prejuízo. Enquanto o mercado não enxergar o que você enxergou, tudo pode acontecer. E é exatamente por isso que o mercado pode ser tão cruel.
Na verdade, existe uma diferença monstruosa entre “estar certo” e “estar certo sobre o mercado”. E meu objetivo hoje era que você entendesse esta diferença.

Abraços a todos!

22 comentários:

  1. Alô, Di MArcinho, que bom que voltaste, rapaz.

    Eu vi o filme e achei ótimo.

    A questão que poderia ser feita por um fundamentalista seria ficar com 90% do patrimônio ou mais na RF. Para voltar a comprar ações após o grande desastre e pegar empresas ótimas capazes de pagar DY de 15 % ou mais, como ocorreu na Bovespa.

    O Paulo Portinho, autor de livros de finanças, defende o uso do Método de Aporte Dobrado que consiste em dobrar os aportes a cada queda de cotação. Com isso compram-se muito mais ações por um preço bem bom.

    A questão maior é psicológica. Quem consegue comprar mais quando o mercado despenca?

    Abraços,

    Fã das Gp's

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    1. Fala, Fã de Gp's,

      de fato, a questão da exposição, da qual eu mencionei no meu último texto, torna tudo mais fácil de entender.

      A questão é que o filme mostra como os investidores, tendo certeza de seus prognósticos e com total razão, resolveram se expor com praticamente todo o patrimônio.

      O resto é o que vimos ocorrer...

      []s!

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    2. Olá Fã de GPs,

      Como leigo, não posso acreditar que alguém recomenda um método de aportes dobrados a cada queda de cotação.
      Imagina o camarada que vem aportando dobrado em petr desde 2008.
      Aí você pode dizer que só se faz isso com "empresas boas". Mas quem garante que a próxima queda de cotação de uma empresa boa não é o início de uma derrocada total da empresa, do setor, ou do mercado?

      DiMarcinho, bom ver seus posts de volta!

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    3. Você leu o livro do Paulo Portinho? Ou o blog ?
      Ali se explica como funciona o MAD e quais empresas podem ser alvo dessa operação.

      Abs

      Fã das Gp's

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    4. Simples assim?

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  2. Olá, Prófis!

    Reabrindo o escritório? kkkk

    Como bem sabe, gosto mais de comentar comentários do que posts, rs

    O que o senhor achou de interessante no comentário do Fã?
    Eu, pessoalmente, sempre me surpreendo...

    Veja que o senhor acabou de escrever sobre o grande dilema do Timimg. E o qual a idéia que ele nos traz como saída pro dilema? Mais Timing, rs

    Pergunto: a) como saber que o "desastre" chegou ao fim? Timing b) e como saber a partir de que "dia", quais determinadas ações irão sobreviver ao fim do "desastre" e ainda por cima com DY futuros de 15%? Timing

    O ponto indiscutível é que a questão maior é a psicológica mesmo: como é difícil enxergarmos nosso inconsciente...

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    1. Abrindo as janelas pra dar uma ventilada, rs

      Parece que existe uma necessidade de desvincular o timing do processo. O timing é tipo a gravidade: tá aí, é assim que funciona e vc não pode fazer nada contra isso.

      Aceitar logo para aprender a trabalhar com o conceito é mais recomendado do que ficar dando murro em ponta de faca, rs

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  3. A questão não é timing. É olhar empresas como Grendene que Receitas FInanceiras enormes e observar o aumento dos dividendos durante as quedas da Bolsa.

    Quando muitas empresas estiverem pagando DIVIDENDOS maiores que a RF, aí sim vale a pena comprar pesado.

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    1. Na verdade, isso que vc descreveu é timing.

      Vc só está usando o parâmetro de dividendos para escolher o timing.

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    2. Ah, anon....

      Foi exatamente isso que eu fiz há uns 15 anos atrás quando enchi o carrinho da blue chip da época Telemar (atual OI) já que na época ela pagava autos dividendos e o ibov estava enterrado em 8.000 pts... rsrsrs

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    3. kkkkkkkkkkkkkkk

      Anônimo25 de maio de 2017 10:44,

      em outras palavras, o que te GARANTE que esses dividendos irão permanecer no futuro?

      Pois na RF os juros são fixados e garantidos (a não ser em caso de calote).

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    4. Mas ó...

      Não é pra rir, não. Porque hoje em dia a Telemar/Oi pode estar meio ruinzinha, mas eu não meu preocupo com esse pequeno detalhe. Já que eu comprei há 15 anos pro long play!

      "O longo prazo é meu pastor e nada me faltará"

      PS - ah... e depois eu tb vou contar sobre minhas Usiminas compradas de roldão depois que ela cismou de pagar autos dividendos há uns anos atrás.

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  4. Belo filme mesmo, preciso vê-lo novamente !!

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    1. Fala, Zé,

      o filme é bem legal mesmo!

      []s!

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  5. Não vi o filme vou colocar na minha lista !!! retribuindo a visita !! te adicionei na minha lista !! abraços

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    1. Fala, Stifler,

      pode ver sim, não irá se arrepender!
      Vou add aqui na lista tb.

      []s!

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  6. Olá, Prófis!

    Puxa, parece que ando nostálgico nos meus investimentos, rs

    Depois de tanto me dedicar a comprar blue chips da moda pro long play há tantos anos atrás, agora pretendo abrir uma nova (velha) fronteira de investimentos para os amiguinhos da blogosfeira: antiguidades! kkkk

    Como sou muito sabichão, primeiro, pretendo ir aprendendo aos poucos as artimanhas desse promissor mercado. Então vou começar "pequeño" como ensina o nosso mestre maior: Mr. Cão!

    E irei começar gastando pouco e com um tema que entendo (pelo menos sei ler uma partitura, rs).

    Sendo assim nas minhas andanças pela web "subindo pra cima" e descendo pra baixo" topei com esse fantástico leilão oferecendo a (ou há?) preço de banana madura essa obra prima cantada em verso prosa pelas maiores estrelas do cenário musical roliúdiano (Frank Sinatra, Bing Crosby, Doris Day, Armstrong, Ella Fitzgerald, etc...):

    "HÁ MUITO TEMPO ATRÁZ"
    Dos saudosos Jule Styne e letra de Sammy Cahn
    http://www.marciopinho.com.br/peca.asp?Id=2831068
    (viu o nome do leiloeiro? rsrs)

    Uma palhinha na voz inconfundível de mestre Armstrong:
    https://www.youtube.com/watch?v=zYWk1u2RFnM

    "Kiss me once, then kiss me twice
    Then kiss me once again
    It's been a long, long time"

    (pra quê isso tuuudo? rs)

    Aprendi na web (nem nos mosteiros do Himalaia encontramos tantos sábios / mestres por metro quadrado) que notas, moedas e sêlos impressos nas mesmas condições, podem vir a valer muito, mas muuuito dinheiro! Então por analogia (independente do que seja essa tal de "licença poética") o mesmo deve valer pra partituras

    É isso aí: licença poética é para os fracos!
    E não se afobem...
    Vou mantendo e senhor e nossos fãs informados dessa minha nova empreitada.

    Abs,

    PS - acho que vou meter o pé na jaca e comprar essa também: "SAUDADES DO PASSADO". Afinal de contas, nos dias poéticos de hoje, as coisas andam tão de rapidinho que não seria nenhum espanto termos saudades do presente o que dirá do futuro...
    http://www.marciopinho.com.br/peca.asp?Id=2831140

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    1. certo mizifio, quer dizer que seu comentário é uma forma de arte, daí a licença poética?

      Realmente sempre achei seus comentários um tipo de obra de ficção, kkkk

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    2. Sim. Uma forma arte que se expressa através da redundância do óbvio na busca ideal de ser inteligível para deslumbrados, bitolados pelo mundo ficcional no qual "vevem" ou acreditam que "vevem". Vai saber...

      E noves fora, prazer em revê-lo depois de tanto tempo.
      Seu bom humor e dedicada atenção em me procurar aonde quer que eu "apareça" me fazem bem melhor do que ficar sendo portador do redundante... Obrigado, rs

      PS - falando em ficção, é inevitável lembrar nessas horas de Pirandello: "a realidade é mais fantástica que a ficção". Aquele abraço!

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  7. Boa tarde, Prófis!

    Diferentemente do senhor, esse Marcio dos Leilões é mais pra cara de pau (Marcio Pinho), rs

    Mas ando cheio de idéias novas (velhas...)!
    A gente podia tirar uma licença de leiloeiro...

    Mas leiloeiro oficial, tá!

    Não vamos extrapolar em mais uma "carreira ficcional" além da nossa atual de mestres / consultores financeiros bissextos de web.... kkkkkkk

    Olha aqui um tutorial, rs
    http://pt.wikihow.com/se-Tornar-um-Leiloeiro

    Assim a gente passaria da condição de pato da mesa pra de croupier! Croupier é a antessala pra depois virarmos "a banca" (se bem que os verdadeiros grandes investidores afirmam com absoluta convicção que "a banca" é uma coisa ficcional que só existe na cabeça dos mal investidores paranoicos!).

    Então além das valiosas partituras com bolor gente vai poder leiloar imóveis, carros, roupa velha, etc... Enfim, um monte de coisas que independente se tá quebrado ou funcionando, se tá com rolo ou sem rolo, se tá barato ou caro, se tá comprando na baixa ou na alta, e também sem se preocupar com a tal da lei da demanda versus oferta!

    Lucro certo! Tanto faz qual seja o valor do negócio! E se quem fez o melhor negócio é quem tá comprando ou vendendo! A gente sempre vai levar uma comissão líquida e certa INDEPENDENTE das fantásticas (ficcionais?) teses e ensinamentos da nossa plêiade de grandes mestres / sábios de finanças!

    Porque criaturas tão sabichonas e espertas como nós, NUNCA pensamos nisso antes de decidirmos por escolher essa senda de sábios / mestres de finanças, Prófis?

    Pergunta que não se cala há 400 anos (detrás?):

    Quem são os verdadeiros ganhadores do mercado, desde a febre das tulipas? Pra quem acertar a resposta ganha um livro do século 17 explicando essas e outras ficções!

    PS - falando nisso tá acompanhando a novela das prumo? Vixe... Mais emocionante que leilão de filme de ficção! kkkkk
    https://br.advfn.com/user-photo/talha912/170706/colunabroad595e8e8753074.png




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    Respostas
    1. Quem são os verdadeiros ganhadores do mercado, desde a febre das tulipas?

      Eu sei, eu sei, eu sei! #abanca #semsegredos

      Mas deixa a galera leiloar, curtir mesmo como os minoritários irão causar mó fuzuê a ponta da EIG desistir da OPA!

      Será que temos algum minoritário entre nós que irá lá dar seu valiosíssimo voto? rs

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